quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

legislação da publicidade infantil...para quando?

Saíu hoje no JN uma notícia sobre os anúncios infantis e a sua influência nas crianças.
A Deco pede "menos tempo de emissão" e a Fernanda Santos refere que "Está provado que as crianças dos 6 aos 8 anos ainda não têm uma percepção crítica da publicidade" reforçando que o papel de medidas como a da Apan com o Media Smart são importantes mas não o suficiente...

O que é verdade, visto que deve existir uma complementaridade entre o trabalho iniciado na escola e o seu exercício em casa. É em casa que as crianças contactam com este meio, portanto tem que ser em casa a grande esfera de actuação com os pais a assumirem um papel preponderande.


a notícia inteira aqui

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Brincador

"Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.

Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador,
muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador,
e também que imaginar, como imagina um imaginador...
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.

E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".

Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta.

Na minha sepultura, vão escrever: Aqui jaz um brincador."

Álvaro Magalhães

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

abram alas para o Noddy...

"Noddy e Ruca são estrelas de publicidade

Criados para distrair e ensinar, ajudam a vender brinquedos, bolachas e produtos bancários. Noddy e Ruca não são jogadores de futebol nem estrelas de cinema, mas como os ídolos de carne e osso têm uma imagem cuidadosamente gerida que vale milhões.
Só em direitos de propriedade (os chamados royalties), que não incluem os direitos de transmissão na televisão, a personagem Ruca, por exemplo, rendeu mais de um milhão de euros em cinco anos. Mas o campeão é mesmo o Noddy, que arrecada entre 1,5 e dois milhões de euros por ano.
O preço que uma empresa ou marca paga por usar estes ídolos dos mais pequenos em embalagens ou publicidade é muito variável, mas a alimentação e os livros é onde normalmente sai mais barato «contratar» o Noddy ou o Ruca.
E ter um boneco na embalagem ajuda - e muito. As vendas num único mês de umas bolachas com a cara do Noddy ultrapassaram as estimativas de venda que a empresa tinha feito para um ano inteiro, exemplifica Sofia Jardim, da Biplano, a empresa que tem dos direitos de propriedade do famoso boneco.
O cuidado na gestão da marca
Mas as empresas licenciadoras, as «donas» das personagens que autorizam a utilização da sua imagem, têm cuidado na gestão da sua marca e não permitem, por exemplo, que estes ídolos das crianças sejam usados em publicidade a doces com doses elevadas de açúcar ou em comida de plástico.
É que más associações são sinónimo de maus negócios: podem existir apenas picos de venda de um produto em vez da continuidade pretendida, inundação do mercado ou desinteresse dos pais, segundo várias especialistas ouvidas pela Lusa.
Mafalda Bernardino Teixeira, da empresa de marketing infantil Mkids, lembra ainda que os miúdos também não gostam de ser «enganados» e ver as suas expectativas frustradas.
Assim, é sempre acautelada a relação com os conceitos transmitidos pelas personagens - alimentação saudável, hábitos de vida e de consumo positivos - , garantem as empresas Elastic Rights, que licencia o Ruca, e Biplano, a «dona» do Noddy.
Mas o poder destas personagens vai além do universo infantil e, recentemente, tanto o Ruca como o Noddy foram associados à imagem de bancos. A associação a uma «marca querida das crianças pode ser uma maneira de [uma empresa] se diferenciar da concorrência, chamando a atenção para a sua proposta e mostrando ainda que sabe e entende de crianças e do que é importante para elas», explica Madalena Castro, da empresa de comunicação e marketing infantil Zero a Oito.
A primeira porta de entrada dos ídolos infantis na casa das famílias é a televisão, mas passado algum tempo começam a surgir os vídeos e os livros, depois os brinquedos e mais tarde outros produtos paralelos, como festivais musicais. Uma estratégia que visa dar a conhecer a personagem e ganhar a confiança dos mais pequenos, mas também do resto da família, conseguindo assim criar abertura para produtos que ainda não existem. O que acaba por acontecer é um ciclo de «retroalimentação do consumo», segundo Maria João Alvares, da Elastic Rights.
Sofia Vieira, especialista em consumo e marcas no grupo de media Omnicom, explica que mesmo que a série de televisão se extinga, as personagens «têm vida própria e vivem na Internet, têm vídeos e livros».
O Ruca e o Noddy estão vocacionados para a faixa dos três aos seis anos, mas as cores primárias das séries, a música apelativa e as escolhas dos pais fazem muitas vezes baixar a idade dos «consumidores» das personagens, cuja força e valor parece não ser afectada pela crise.
«Os pais fazem tudo: infelizmente os pais trabalham muito, chegam tarde a casa e, para tentar compensar, enchem as crianças de brinquedos. Talvez nós estejamos a jogar de forma errada com isso, mas cada um gere a sua família como acha melhor», afirma Maria João Alvares.
Os pais dizem que tentam não ceder, mas assumem que é difícil resistir «à agressividade comercial».

quinta-feira, 17 de julho de 2008

may the force be with... nature!!

Crianças inglesas revelaram saber mais sobre o mestre Yoda do que sobre natureza!



Um estudo realizado pela National Trust veio demonstrar que a natureza é cada vez menos familiar às crianças, muito menos do que o mestre Yoda, pois 9 em cada 10 são capazes de identificar esta personagem da saga Guerra das Estrelas enquanto que apenas metade reconhece um pinheiro.


etade das crianças inquiridas (n: 1651) revelou não saber qual a diferença entre uma abelha e uma vespa.


Atentos e preocupados com este fenómeno de familiarização com seres do espaço mas pouca ou nenhuma relação com a natureza que os rodeia, o NT já pôs sobre rodas uma campanha que visa sensibilizar as famílias a passar mais tempo "outdoors" através do "Space Bus" um autocarro que levará o jardim à cidade.

mais informações sobre esta notícia aqui

quarta-feira, 16 de julho de 2008

"tudo é vício, nada é vício. tudo depende da quantidade"


Sobre o efeito da televisão nas crianças já muito se especulou nomeadamente no que respeita ao carácter educativo ou não da televisao, do seu potencial lúdico ou não...
Mas foi recentemente publicado um estudo que concluí que "Crianças com menos de três anos de idade que assistem à televisão podem desenvolver problemas de aprendizado no seu desenvolvimento, mas a atividade pode ser benéfica entre os três e os cinco anos.". Este estudo realizado pela equipa da universidade de Washington e publicado pelo jornal Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, da Associação Médica Americana observou 1.797 crianças entre os seis e sete anos de idade.

Esta equipa constatou que "aquelas (crianças)que haviam sido expostas à televisão por cerca de duas horas antes dos três anos apresentaram dificuldades para ler e aprender matemática.

Já nas crianças entre três e cinco anos, que viram televisão por cerca de três horas, foi identificado um efeito positivo apenas no teste de leitura."
o foco da investigação não foi encontrar os aspectos negativos da televisão mas sim os motivos que podem levar a que televisão, como meio quente pouco fará para estimular a criança fornecendo-lhe assim informação e estímulos imagéticos que poderiam estar a ser construídos em vez de "recebidos".
deixaram duas hipóteses a considerar, no que respeita a este grupo,que se prende com o tempo "roubado" pela televisão pode levar a "que as crianças passem menos tempo em outras atividades educacionais e recreativas.

Sendo a segunda hipótese "que as imagens intensas e o áudio danificam o rápido desenvolvimento do cérebro das crianças".

para alguns investigadores, por sua vez, a televisão, através de programas educacionais pode ajudar a estimular habilidades académicas. o que interessa aqui equacionar é a variável tempo, que eles propõem não exceder os 30 minutos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não à publicidade! Será o caminho?




Na página mídia e marketing (Brasil) vem uma notícia (de 04 de Julho) que refere o consenso de Pais e associações no que respeita à regulamentação e consequente proibição da publicidade para crianças, materializada num proposta de um deputado que pode ser descrita como “Um projeto de lei, que aguarda votação na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de Deputados, sugere o fim da publicidade de produtos voltados para crianças. A proposta de alteração no Código de Defesa do Consumidor, de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), faz coro com pais e representantes de entidades ligadas à infância e à adolescência que vêem na propaganda uma forma de oportunismo, que se aproveitaria da inocência deste público.”
Não será perigoso o caminho da proibição e negação da publicidade?
À partida nesta “sociedade de consumo” em que todos vivemos, a alguma altura na nossa vida vamos ter que lidar com impulsos consumistas que podem ou não ser gerados por factores externos (nomeadamente publicidade) – mas não será a proibição da publicidade um caminho radical?
Numa altura em que a literacia dos meios impera e se torna fulcral na vida destes pequenos grandes consumidores, não seria mais interessante apostar no ensino e na desmontagem da publicidade, seus propósitos e fins?
Muitas vezes subestimamos as crianças e achamo-las mais ingénuas do que aquilo que são – crianças com bases são crianças informadas que certamente saberão ou poderão fazer melhor a destrinça entre o que é importante ou não e esse pode ser também um caminho…
Regulamentar e controlar sim, proibir parece excessivo...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Crianças dos EUA, Malta e Portugal são as que revelam maior excesso de peso

"Estados Unidos, Malta e Portugal são os três países de um conjunto de 41 analisados por um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) onde as crianças com onze anos revelam maior excesso de peso.

Os dados hoje divulgados inserem-se num relatório sobre as desigualdades na saúde dos jovens que inquiriu mais de 200 mil crianças e jovens com 11, 13 e 15 anos em 41 países. Do total de jovens inquiridos em 2006, 3.919 são portugueses (1.886 rapazes e 2.025 raparigas).
(...)Portugal surge em terceiro lugar quando a análise incide nas crianças com onze anos. O estudo revela que 22 por cento das raparigas e 25 por cento dos rapazes têm excesso de peso. Já no grupo etário dos 13 anos Portugal desce para a 10ª posição, com 13 por cento de raparigas e 18 por cento dos rapazes a revelarem excesso de peso. No entanto, quando a análise incide nos jovens com 15 anos Portugal volta a subir para o sexto lugar: 13 por cento das raparigas e 22 por cento dos rapazes revelam peso a mais.
Os adolescentes inquiridos indicaram a sua altura e peso (sem sapatos), tendo depois sido calculado o índice de massa corporal. Segundo o relatório, os rapazes de onze anos têm mais tendência a ter excesso de peso do que as raparigas em metade dos países analisados e, na maioria dos países, nas idades dos 13 e 15 anos.
A crescente obesidade infantil levou já a Europa a lançar estratégias de combate. Segundo dados de Bruxelas, há 22 milhões de crianças com excesso de peso ou obesidade na União Europeia, sendo que a progressão é estimada em mais 400 mil de ano para ano. Estas crianças têm maior risco de vir a sofrer de doenças como a diabetes, problemas de fígado e cardíacos, hipertensão e acidentes vasculares cerebrais.

O relatório internacional hoje apresentado num evento conjunto da OMS/HBSC (Rede Europeia "Health Behaviour in School-aged Children”), na Escócia, é o quarto sobre os comportamentos saudáveis das crianças em idade escolar com 11, 13 e 15 anos.

Incidindo sobre desigualdades na saúde, o trabalho aborda as dimensões de género, idade, geográficas e sócio-económicas dos jovens de 41 países. O objectivo do relatório é revelar onde estão as desigualdades para informar e melhorar a saúde para todos os jovens."


De facto as crianças devem ser os principais alvos das estratégias de prevenção da obesidade, isto porque as crianças podem ser consideradas como indivíduos particularmente em risco pelo simples facto de serem intelectual e emocionalmente mais imaturas, tornando-se por isso mais susceptíveis a influências do ambiente e da publicidade que hoje em dia se tornou mais agressiva no que toca a produtos alimentares ricos em açúcares e pobres em nutrientes essenciais.
As crianças estão igualmente numa fase crítica de aquisição de conhecimentos e comportamentos que se vão sedimentar na vida adulta, pelo que cabe à sociedade e aos educadores garantir o melhor ambiente para o desenvolvimento saudável das crianças